segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Quebra-nozes no Alfa

Foto: Divulgação

Neste ano, não teremos a enxurrada de O Quebra-Nozes que ocorreu em 2009 - em dezembro do ano passado três montagens diferentes estiveram em São Paulo. No entanto, a tradicional adaptação de D. Hulda Bittencourt, da Cisne Negro Cia. de Dança, não poderia faltar.

Dessa vez, Marcelo Gomes não participa da 27ª edição da montagem. Os papéis principais - Fada Açucarada e Príncipe - são de Anna Scherbakova e Dmitry Kotermin, primeiros bailarinos do Russian State Ballet, de Moscou.

O espetáculo fica em cartaz no Teatro Alfa (Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, tel.: 5693-4000), em São Paulo, até dia 19. De segunda a quinta, às 21h, sexta, 21h30, sábados, 17h e 21h, domingo, 16h e 19h. Ingressos: R$ 30 a R$ 90.

O Quebra-Nozes é uma história de encantamento. Com música de Tchaikovsky, estreou no Teatro Mariinsky, São Petersburgo, Rússia, em 17 de dezembro de 1892.

Na noite de Natal, Clara ganha do padrinho Drosselmeyer um boneco quebra-nozes. O brinquedo quebra nas mãos do irmão. Decepcionada, a garota dorme. Ao acordar, depara-se com ratos gigantes lutando contra o Quebra-Nozes e seu exército de soldadinhos.

Após a batalha, Clara viaja com o boneco, que se transformou em príncipe, para o Reino dos Doces. Lá, encontram danças e iguarias de diversas partes do mundo. É de O Quebra-Nozes um dos pas de deux mais lindos dos balés de repertório.



O vídeo abaixo tem a música desse pas de deux e trechos dos espetáculos anteriores da Cisne Negro.



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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Fotos Baryshnikov



Como prometido, essas são as fotos de Mr. Baryshnikov e Ana Laguna, feitas por minha amiga Luciana Sá no dia 20 de outubro. Quanta tietagem. Mas lá podia.

"Ele olhou nos meus olhos". Pois é, Lu. Por esse e muitos outros motivos não vamos esquecer daquela noite.








quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Dança de Gente Madura


No último post falei sobre a minha expectativa em ver o espetáculo de Mikhail Baryshnikov e Ana Laguna. Para mim, assisti-los no palco do Teatro Alfa já seria maravilhoso. Entretanto, consegui algo inesperado: participar da coletiva de imprensa com os bailarinos. A matéria, publicada no Diário do Grande ABC, segue abaixo.

Ontem, assisti a Três Solos e Um Dueto. Magnífico vê-los tão bem em cena. Baryshnikov com sua fluência de movimentos impecável, vista apenas em gênios; Ana Laguna com uma energia arrebatadora. Quem a viu na coletiva não poderia imaginar que ela fosse dona de tanta força. Lindas também foram as reverances em que os artistas se mostravam felizes e de fato agradecidos pelo momento. Ao final, a cortina subiu três vezes, mas não sei quantos minutos duraram as palmas.



Na saída para o hotel, Baryshnikov atendeu aos pedidos dos fãs. Ao som de "I love you", "Bravo, Misha" e mais palmas, ele fez questão de autografar o programa do espetáculo.

Enfim, amigos. Que noite!

(Aguardem mais fotos de Baryshnikov tiradas por minha amiga Lu Sá).



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A batalha começou há mais de 50 anos e ainda não acabou. A tal peleja - sem perdedor ou vencedor - é travada diariamente por Mikhail Baryshnikov, 62 anos, durante trabalho com a dança. "Você luta com o corpo a cada ano, a cada dia e a cada segundo. Não é sempre uma experiência prazerosa. Na maior parte do tempo é dolorosa, mas tem de ser feita."


Ao esforço exaustivo, o bailarino e a espanhola Ana Laguna, 54, estão habituados. Assim, a aposentadoria permanece distante. Tanto que em 2009, estrearam o espetáculo contemporâneo Três Solos e Um Dueto, projeto idealizado pelo coreógrafo sueco Mats Ek, marido de Ana. A première aconteceu em Estocolmo. Também estiveram em outros países da Europa e nos Estados Unidos.


Nesta semana, desembarcaram no Brasil, por onde iniciam turnê sul-americana. Passarão por São Paulo, com espetáculo hoje, às 21h, no Teatro Alfa, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Brasília e Manaus, onde encerram temporada no Teatro Amazonas. Na maioria das cidades, os ingressos esgotaram em cerca de quatro dias.


No início da semana, a dupla concedeu entrevista coletiva na Capital. Tímida, Ana foi quem menos falou. "Prefiro dançar a responder perguntas." Coube ao dono dos reluzentes olhos azuis oferecer a maioria das respostas aos jornalistas.


As coreografias de Três Solos e Um Dueto foram feitas ou adequadas ao corpo e possibilidades dos veteranos. Entretanto, o público não deve confundir maturidade com limitação. Em Place, de Mats Ek (que também assina Solo For Two), a dupla mostra grande vigor durante ininterruptos 22 minutos. No programa, há ainda Valse-Fantasie, do russo Alexei Ratmansky, e Years Later, do francês Benjamin Millepied.


Em nenhuma das peças coreográficas os bailarinos interpretam personagens. "Somos nós. Não estamos fazendo nenhum papel. É muito tarde em nossas vidas para isso", ressalta Baryshnikov.


Histórias com personagens são características do balé clássico, estilo com o qual ele e Ana iniciaram a carreira. Mas isso foi há muito tempo e desse mundo, confessam, não sentem saudade.


Entretanto, o bailarino revela que não abandonou as aulas de balé; as faz constantemente para preparar o corpo. Também aderiu à ioga e fisioterapia. Faz o que for necessário para cumprir aquilo que se propôs a fazer. "Nunca é fácil acordar, trabalhar todo o dia e se apresentar. Mas esse é o trabalho", afirma Baryshnikov, que nasceu em Riga, Letônia (ex-integrante da União Soviética) e exilou-se em 1974 no Canadá.


BRASIL

Baryshnikov esteve no Brasil pela última vez em 2007 com a companhia Hell''s Kitchen Dance. "É grande responsabilidade dançar neste País porque há fatores genéticos e culturais que fazem com que o público brasileiro saiba o que é bom e o que não é." Ana esteve aqui em quatro ocasiões.


Apesar de ser uma das grandes lendas vivas da dança, Baryshnikov rejeita título de o melhor do século 20. "Não é esporte. Alguns gostam do meu trabalho, outros não. É uma opinião subjetiva. Fazemos o que temos de fazer. Quem é o melhor ou está no topo não importa. É uma grande tolice."


Arrependimentos? Baryshnikov menciona um: não ter trabalhado com a coreógrafa Pina Bausch, que faleceu em 2009, pouco antes de se apresentar no Brasil. Defeitos? "Felizmente ou infelizmente, não sei, nunca tive talento e gêneses para coreografar. Não sou escritor, pintor, cineasta. Sou apenas bailarino, um instrumento na mão de outras pessoas."


E sobre o adeus aos palcos? "Se vou sentir falta quando parar de dançar um dia? Provavelmente. Mas eu não sei. Só vou descobrir quando acontecer."


Matéria publicada no Diário do Grande ABC em 20 de outubro.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Baryshnikov no Brasil




Tenho de compartilhar algo com vocês. No dia 20 de outubro verei uma lenda no palco: Mikhail Baryshnikov. O bailarino se apresentará ao lado da espanhola Ana Laguna no Teatro Alfa, em São Paulo. Pelo que soube, a venda dos ingressos começou no dia 13 e, hoje (17), eles já estão esgotados.

No espetáculo Três Solos e Um Dueto, Baryshnikov, 62 anos, dança Years Later (coreografado por Benjamin Millepied's) e Valse Fantasie (de Alexei Ratmansky, ex-diretor artístico do Bolshoi). Ana Laguna mostra Solo For Two (de Mats Ek), em que o bailarino também aparece. Os dois encerram o programa com Place (também de Mats Ek).
Years Later
Confesso que tenho vontade de chorar quando penso muito sobre o assunto, tamanha felicidade. Por quê? No meu caso, Baryshnikov foi um dos heróis de minha infância e adolescência. Na época, tinha certeza de que seria bailarina. Não aconteceu. Entretanto, minha admiração pelo gênio não diminuiu.

Lembro-me da primeira vez que assisti Momento da Decisão (Turning Point, 1977). O filme foi indicado a 11 prêmios Oscar; Baryshnikov concorreu ao de melhor ator coadjuvante.

Quando estive em Nova York, tive a oportunidade de conhecer Gelsey Kirkland no Broadway Dance Center. A norte-americana – uma das principais bailarinas clássicas do século 20 – apertou minhas bochechas quando mencionei que tinha o livro dela (Dançando em Meu Túmulo) na minha casa. Eu mal consigo acreditar na cena até hoje. “Ela existe mesmo”, pensei.

Acredito que terei reação semelhante ao ver Misha, como Gelsey, que o namorou, o chamava. Conto os dias ansiosa para a data chegar logo. Assim, posso comprovar se ele também é real.

Misha e Gelsey

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O Último Bailarino de Mao


Muitos amigos já me perguntaram se li Adeus China – O Último Bailarino de Mao (Editora Fundamento, 400 págs., R$ 48,40). “Infelizmente, ainda não”, respondia. Na realidade, nunca parei para pesquisar ou folhear o livro, justo eu que adoro passar horas na livraria.

Na semana passada, entretanto, vi algo na internet que me chamou a atenção. Na página principal do The Internet Movie Database estava em destaque o pôster de um filme que trazia um bailarino oriental. No mesmo instante, cliquei no link e descobri que Adeus China já se transformou em longa, lançado em 2009, do diretor Bruce Beresford (Conduzindo Miss Daisy).

Assisti ao trailer de O Último Dançarino de Mao (veja abaixo) e me emocionei. Acredito que os apaixonados por dança também gostarão do filme, que tem cenas belas e espetaculares.

Para quem não sabe, a trama é baseada na autobiografia de um dos maiores bailarinos do mundo, o chinês Li Cunxin. Aos 11 anos, ele foi retirado da pobre aldeia em que vivia com a família para estudar balé em Pequim. Transformou-se em estrela da dança e fez o que outros (Nureyev e Baryshnikov, só para citar alguns) fizeram antes dele: deixou o país rumo ao Ocidente.

Li Cunxin e Mary McKendry (sua esposa) no Pas de Deux de Esmeralda, no Australian Ballet Gala, em 1990

Li Cunxin tornou-se um dos queridinhos da América. No entanto, a China comunista não o perdoou. Assim, ele teve de enfrentar o governo para garantir a integridade de sua família e a realização de seu sonho como artista.

Em 2008, Li Cunxin esteve no Brasil durante o lançamento do livro. Resta saber se o filme - que foi exibido na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2009 - chegará às telonas. Acho difícil.


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quarta-feira, 21 de abril de 2010

O Bolero de Ravel e Béjart, Jorge Donn e Retratos da Vida


Iniciei o último post com a frase de Maurice Béjart (1927-2007): "A dança é homem". Por isso, decidi fazer a nova postagem sobre a obra mais famosa daquele que foi um dos mais importantes coreógrafos do século 20. A coreografia? Bolero, com a também conhecida música composta por outro Maurice, só que de sobrenome Ravel. Aliás, ele a fez na década de 1920 a pedido da bailarina russa Ida Rubinstein.

Bolero (dança) estreou em 1961 e rapidamente agradou a plateia. O papel principal foi criado para uma mulher. No entanto, a consagração da obra veio com a interpretação do bailarino argentino Jorge Donn (1947-1992). Ele integrava a Cia. de Béjart desde 1963, mas dançou a coreografia pela primeira vez apenas em 1979.

Donn era tão grande e arrebatador quanto o Bolero de Ravel e de Béjart. Sua interpretação pode ser vista no filme Retratos da Vida - Les Uns Et Les Autres - (1981), de Claude Lelouch. O longa mostra os encontros e desencontros dos integrantes de quatro famílias, que se iniciam durante a Segunda a Guerra Mundial e têm desfecho cinco décadas mais tarde. Excelente drama! No elenco tem ainda Geraldine Chaplin, James Cann, Robert Houssein, Fanny Ardant e Nicole Garcia.

Confira o momento em que Donn dança Bolero aos pés da Torre Eiffel. Aos mais sensíveis, como eu, sugiro que preparem o coração.


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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Balé não é só coisa de menina

Não foi à toa que o francês Maurice Bejart - um dos mais importantes coreógrafos do século 20 - disse: "A dança é homem". Afinal, pesquisadores afirmam que a maioria das danças de diversas etnias na África, Ásia e América sempre era voltada para o sexo masculino. Outro homem, o rei da França Luís XVI, foi responsável pelo principal impulso para o desenvolvimento do balé clássico ao criar, em 1661, a Real Academia de Dança.

Desde então, a participação masculina é essencial para a evolução dessa arte. Aliás, o que seria das bailarinas sem eles? Mas dedicar-se ao balé não é fácil. Engana-se quem imagina que os passos são delicados. Da mesma forma que as meninas, os rapazes que desejam se profissionalizar passam horas intermináveis nas salas de aula em busca da técnica perfeita. Suor, dores e machucados fazem parte da rotina.

E para o bailarino não basta apenas dançar bem, é preciso ainda ser bom partner (parceiro, em francês). "Tem de priorizar a bailarina, cuidar dela. Bons partners são raros. Sempre vai ter emprego para eles", afirma Erinaldo Conrado, professor de pas de deux (dança do casal) do Kleine Szene Estúdio de Dança, em Santo André.

DESAFIOS
As dificuldades não ficam restritas à execução de passos. Em geral, meninos começam mais tarde do que as meninas porque nem sempre contam com o apoio da família ou têm coragem para encarar o preconceito.

Caio Fernandes, 20 anos, iniciou o clássico aos 16 e teve de persistir muito para convencer os pais de que seguiria a carreira artística. "Queriam que eu fizesse faculdade para ter emprego com carteira registrada", diz. Ele enfrentou tudo com determinação e no ano passado saiu de casa, em Guarulhos, para viver em Santo André. Pela manhã, trabalha na secretaria da escola em que faz balé. Às 14h30, inicia a maratona de aulas e ensaios, que só acabam no fim da noite. "Tudo vale a pena", garante.

Mesmo com o apoio dos pais, Darcio Wilson Gonzales, 17, começou o balé aos 15. No entanto, isso não o impede de trabalhar duro em busca de seu sonho. "Não me vejo fazendo outra coisa. Se aparecer uma oportunidade no Exterior, vou embora. Se não der, tento entrar numa companhia no Brasil."

PRECONCEITO
Humberto Ramazzina dos Reis, 12, passeava com o avô quando parou para ver uma aula de balé. Interessou-se e pediu aos pais para conhecer. Na época, tinha apenas 6 anos. No colégio, todo mundo sabe que ele adora dançar, e já teve de ouvir poucas e boas de quem não tem noção do que é ser bailarino. "Já me chamaram de gay e veadinho, mas nem ligo", diz o garoto, que já participou de duas óperas no Teatro Municipal de São Paulo.

Por Juliana Ravelli


* Matéria de capa do suplemento D+, do Diário do Grande ABC, do dia 14 de março. Confira o restante da matéria abaixo!

Talento supera as adversidades


O carioca Irlan Santos, 19 anos, driblou muitas dificuldades, aproveitou o talento e as oportunidades e transformou um futuro aparentemente sem perspectivas em vitórias. O garoto, que vivia na favela do Complexo do Alemão, integra hoje a companhia 2 do American Ballet Theater, uma das principais do mundo.


Irlan também é uma das estrelas do documentário Only When I Dance (Só Quando Eu Danço), da diretora inglesa Beadie Finzi. Em 2009, o longa foi a sensação do Festival de Cinema de Tribeca, em Nova York. Foi chamado pelo jornal New York Times de ‘Billy Elliot da vida real'.

"Irlan é maravilhoso. Sabia o que queria e acreditava nas pessoas que o cercavam. Seu talento é indiscutível. Nasceu para a dança", afirma Mariza Estrella, diretora do Centro de Dança Rio, onde ele estudava desde os 11 anos. No início, queria sapateado. Só depois se encantou pelo balé.

Em pouco tempo, já era premiado. Em 2005, ficou em primeiro lugar no Youth America Grand Prix, de Nova York. Em 2008, venceu o importantíssimo Grand Prix de Lausanne, na Suíça.


Confira o trailer de Only When I Dance:

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Musicais oferecem boas oportunidades

Conseguir espaço no mercado de trabalho brasileiro ainda é tarefa árdua para bailarinos. No entanto, as oportunidades estão aumentando nos últimos anos graças ao crescimento dos musicais. Para se ter ideia, em São Paulo há quatro superproduções em cartaz - O Rei e Eu (Teatro Alfa), Hair Spray (Teatro Bradesco), Cats (Teatro Abril) e O Despertar da Primavera (Teatro Sérgio Cardoso).

Segundo a coreógrafa Fernanda Chamma, o balé clássico é essencial para quem deseja disputar uma vaga nesses espetáculos, pois os passos desse estilo são pedidos na maioria das audições. Mas só isso não basta. É preciso investir em aulas de canto e teatro musical. Quem se destaca pode ter retorno financeiro rápido. Os grandes musicais pagam bons salários, que chegam a R$ 5.000.

"Aula de clássico deve ser feita sempre. Dá limpeza de movimento, consciência corporal e muita disciplina", afirma Fernanda. A atriz Claudia Raia e seu elenco, por exemplo, não iniciam uma apresentação de Pernas Pro Ar sem antes terem feito aula de balé.

Fernanda, que participou da montagem de Hair Spray, explica que bailarinos têm mais facilidade para aprender coreografias. Apesar das boas perspectivas, ela alerta: "Não basta ser ótimo bailarino, cantor e ator. O mercado está interessado em bons profissionais, que cumpram horário e tenham responsabilidade".

terça-feira, 6 de abril de 2010

Do Brasil para os palcos do mundo

Thiago Soares


O amazonense Marcelo Gomes, 30 anos, e o carioca Thiago Soares, 28, deixaram o Brasil e se transformaram em estrelas internacionais. Eles ocupam o posto mais importante em duas renomadíssimas companhias de balé do mundo. Marcelo é primeiro bailarino do American Ballet Theater, de Nova York. Thiago é primeiro bailarino do Royal Ballet, de Londres.

Marcelo começou a dançar com 5 anos. Na época, assistiu a uma única aula e já disse à professora: "Eu consigo fazer esses passos". Daí não parou mais. "Saí daqui aos 13. Foi muito difícil, ir embora sem falar inglês, deixar a família e amigos. Não esperava que minha carreira fosse estourar", diz.

Thiago começou no street dance, não pensava em se profissionalizar no clássico. Fez jazz e dança moderna antes de se dedicar inteiramente ao balé. Na época tinha 16 anos. Em pouco tempo, integrava a companhia do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Marcelo e Thiago sempre arrumam um jeitinho de dançar no Brasil e matar a saudade. Em dezembro, estiveram aqui para apresentar O Quebra-Nozes, em produções diferentes.

Confira Marcelo Gomes em Otello com Alessandra Ferri:

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Mitos do Século 20

Quem é apaixonado por dança os conhece. Mas se você nunca ouviu o nome deles, confira um breve resumo sobre os homens que fizeram história na dança clássica do século 20:

Vaslav Nijinski (1889-1950) foi bailarino e coreógrafo russo, considerado gênio da dança. Seus saltos impressionavam a plateia pela dificuldade. Teve vida conturbada, aos 29 anos foi acometido por doença mental. Morreu numa clínica psiquiátrica.


Vaslav Nijinski

O russo Rudolf (Rudi) Nureyev (1938-1993) começou o balé aos 17 anos. Isso não o impediu de se transformar em mito. Em 1961, exilou-se na Europa, onde conheceu a bailarina Margot Fonteyn. Ela estava se aposentando aos 43 anos, mas prorrogou a carreira por 15 anos; era 20 anos mais velha. Rudi morreu com Aids.
Nureyev
Mikhail Baryshnikov (1948) nasceu na Letônia, mas exilou-se no Canadá em 1974 e depois naturalizou-se norte-americano. É um dos nomes mais populares da dança clássica, reconhecido pelo talento artístico e técnico. Além de estrela do American Ballet Theater, fez dois filmes importantes e participou de séries na TV.

Confira Baryshnikov em Dom Quixote:


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Trockadero satiriza balé

O Ballet Trockadero de Monte Carlo é a única companhia de dança no mundo em que homens usam sapatilhas de ponta - aquelas que mulheres utilizam para ficar sobre os dedos dos pés. Aliás, as garotas não têm vez no grupo cômico, que nasceu nos Estados Unidos, na década de 1970.

Os caras se revezam em papéis femininos e masculinos e transformam os clássicos do balé em grandes sátiras. Além das pontas, usam tutu (como são chamados os figurinos), perucas e maquiagem carregada. E engana-se quem pensa que eles só brincam no palco. Apesar das gracinhas, dançam bem de verdade. Em agosto, se apresentarão em São Paulo.

Confira o clássico A Morte do Cisne do Trockadero:

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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Brasileiro conquista a América

Fotos: Heloísa Bortz / Divulgação
Marcelo Gomes em O Quebra-Nozes, em São Paulo

Ele saiu de Manaus e ganhou o mundo. Marcelo Gomes, 30 anos, é uma das estrelas do ABT (American Ballet Theater), renomada companhia de balé sediada em Nova York, Estados Unidos. Nesse fim de semana o primeiro bailarino encerra a série de apresentações - com casa lotada - ao lado da Cisne Negro Cia. de Dança, no Teatro Alfa, em São Paulo.

Junto à coreana Hee Seo e à uruguaia Maria Ricetto, ambas solistas da companhia norte-americana, Gomes encena o conto natalino "O Quebra-Nozes". "Dançar no Brasil é emocionante. Tem um peso maior. Os aplausos daqui têm mais valor", comenta o artista.

Marcelo Gomes e a solista do ABT Hee Seo

A trajetória do bailarino começou cedo. Aos 5 anos, o amazonense entrou em uma sala da escola de dança que a irmã frequentava. Naquela época, vivia no Rio de Janeiro. Disse à professora que dava a aula: "Consigo fazer esses passos". E fez. Desde então, sua vida é a arte.

Aos 13 anos, deixou o Brasil para estudar balé em um conservatório na Flórida. "Foi muito sacrifício, ir embora sem falar inglês, deixar a família e amigos. Sonhava em ser Nureyev e Julio Bocca", afirma. O esforço foi recompensado quando, aos 17 anos, entrou para o corpo de baile do ABT. Três anos depois transformou-se em solista (cargo em que tem mais destaque). Com 22 anos, foi promovido a primeiro bailarino. "Foi algo que deu certo. Não imaginava que minha carreira iria estourar tanto. O bailarino brasileiro tem paixão pelo que faz. E isso é notado lá fora."

Além do trabalho como bailarino, Gomes conquistou outro espaço difícil de ser alcançado em qualquer companhia: o de coreógrafo. Em 2007, estreou seu primeiro balé para o ABT, chamado Tacacá (nome de uma sopa do Norte do Brasil).

Marcelo Gomes e Hee Seo

O Quebra-Nozes - Teatro Alfa - Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, São Paulo. Tel.: 5693-4000. Hoje, às 17h e 21h. Amanhã, às 16h e 19h. Ingressos: R$ 50 a R$ 90

Por Juliana Ravelli

* Matéria originalmente publicada no Diário do Grande ABC, em 19 de dezembro de 2009.

Ana Botafogo desmente despedida

Ana Botafogo e o bailarino norte-americano Fernando Bujones

Essa é a primeira vez, desde 1981, que Ana Botafogo não interpreta a Fada Açucarada na montagem de "O Quebra-Nozes" do Theatro Municipal do Rio Janeiro. Dois anos antes, ela havia feito a mesma personagem ao lado de Fernando Bujones, um dos principais nomes da dança clássica do século 20. "É um balé que em 28 anos de carreira como primeira bailarina eu fiz todos os anos. Podia não ter no Rio, mas dançava pelo Brasil afora e no Exterior", diz a artista.

Pouco antes do ensaio geral da companhia, na noite de quinta-feira, Ana acompanhava um grupo de crianças da Cajec (Casa José Eduardo Cavichio - Apoio à Criança com Câncer). No palco, explicava a história do balé aos pequenos, que se maravilhavam com cenários, figurinos e bailarinos.

"Em toda minha vida foi um balé que gostei muito de fazer. Sempre foi o sonho das crianças ver a fada, e aqui (no palco) a gente é uma. Adorava fazer espetáculos para escolas porque os alunos ficavam encantados."


SEM DESPEDIDA
Ana desmentiu os boatos de que em 2010 iniciaria uma série de apresentações para encerrar a carreira. "Quero fazer uma bonita carreira para que as pessoas se lembrem muito bem de mim. Ainda não tenho data para parar de dançar. Ano que vem tenho muitos compromissos, o primeiro deles é a reabertura do Theatro Municipal (do Rio de Janeiro). Então, ainda tenho de dançar muito. Não é uma turnê de despedida. O dia que acontecer, vou comunicar. Enquanto estiver bem, pretendo dançar", garante a bailarina.

Por Juliana Ravelli


* Matéria publicada originalmente no Diário do Grande ABC, em 19 de dezembro de 2009.

Os bastidores de um clássico do balé

Silêncio na plateia. Cenários e bailarinos com maquiagem e figurinos estão no palco. Tudo parece pronto e a coreografia começa. Até que alguém diz ao microfone: "Volta". Assim é o ensaio geral de uma grande produção. Na noite de quinta-feira, a Companhia do Theatro Municipal do Rio de Janeiro fazia os últimos ajustes para "O Quebra-Nozes", que apresenta neste fim de semana no Teatro Abril, em São Paulo.

O conto traz a história da menina Clara, que ganha um boneco quebra-nozes no Natal. À noite, o brinquedo ganha vida, vira príncipe e embarca com a garota rumo ao Reino dos Doces.

Tudo tem de estar no devido lugar e deve ser executado no tempo certo para a perfeccionista Dalal Achcar, responsável pela adaptação. E afinidade com esse balé não lhe falta, afinal, foi a primeira bailarina a interpretar a Fada Açucarada (personagem principal do bailado) no Brasil, em 1957.

Há quase 10 anos a companhia carioca não subia em palcos paulistas com um balé completo. São 150 pessoas - 30 crianças, 80 bailarinos e 40 técnicos - envolvidas na montagem do espetáculo. Foram necessários quatro caminhões para trazer todos os adereços e equipamentos.

"É o carro chefe do Theatro Municipal há vários anos. "O Quebra-Nozes" tem recorde de público. É maravilhoso poder trazê-lo para outro público e mostrar a companhia completa", afirma Dalal.

Para interpretar os papéis de Fada Açucarada e Príncipe vieram especialmente da Inglaterra a brasileira Roberta Marquez, primeira bailarina do Royal Ballet (uma das principais companhias do mundo), e o cubano Arionel Vargas, primeiro bailarino do English National Ballet de Londres. Eles são namorados e dançarão pela primeira vez juntos.

Roberta, que está em temporada em Londres, aproveitou uma semana de folga para estar no Brasil. "É a companhia do coração, onde eu comecei a dançar e aprendi tudo o que sei. É sempre um prazer e um privilégio estar aqui de volta", diz Roberta.

O Quebra-Nozes - Teatro Abril - Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 411, São Paulo. Telefone: 2846-6000. Hoje (19), às 17h e 21h. Domingo, às 16h. Ingressos: R$ 80 a R$ 140

Por Juliana Ravelli

* Matéria publicada originalmente no Diário do Grande ABC, em 19 de dezembro de 2009.
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