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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Vídeos de brasileiros no Prix de Lausanne

O Brasil teve duas grandes conquistas no Prix de Lausanne 2013. Leticia Domingues, da Escola de Dança Petite Danse, no Rio de Janeiro, e o Adhonay Silva, do Balé Jovem do Centro Cultural Gustav Ritter, em Goiânia, foram premiados!


Pensei, então, em mostrar para vocês vídeos de outros brasileiros que se destacaram em Lausanne. O primeiro, de 1996, traz Marcelo Gomes, aos 16 anos, na variação de O Quebra-Nozes! Reparem na musicalidade e nas caminhadas dele! Depois, tem a estrela do American Ballet no lindíssimo solo Gracioso.

O terceiro e o quarto vídeo, de 2008, mostram Marcella Paiva na Valsa de Coppélia e em seu solo. No mesmo ano, Irlan Silva (protagonista do documentário Only When I Dance) apresentou Corsário e um solo ousado.

Por fim, tem os vídeos da Mayara Magri, em 2011, também na Valsa de Coppélia e no solo em que eu amei a bailarina, coreografia e música.

Infelizmente, não achei vídeo da primeira brasileira agraciada no concurso de 1990: Christiane Palha, que tinha 15 anos na ocasião.









quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Marcelo Gomes no Brasil com a São Paulo Companhia de Dança e as loucuras para vê-lo

Foto: Wilian Aguiar/ Divulgação

Para variar, essa história já deveria estar no Blog há dias, mas... Não me estenderei em justificativas.

Fiquei maluca ao descobrir que o Marcelo Gomes dançaria com a São Paulo Companhia de Dança nos dias 26 e 27 de agosto no Teatro Alfa, em São Paulo. Os amigos sabem que quando o assunto é ballet - e, claro, não estou no papel de jornalista - sou tiete sem dó. Não sosseguei até comprar o ingresso. Contei até com a ajuda da 'santa chefe' para retirá-lo em um ponto de venda autorizado.

Escolhi a sexta para assisti-lo; iria com algumas alunas. Mas, no fim, apenas a Laura me acompanhou. E começa a confusão... Como motorista, dou para o gasto. Problema mesmo é minha inteligência espacial ou, melhor, a falta dela. Imaginava estar segura; nada daria errado, afinal, o GPS me ajudava. Errado. Acredite, usá-lo é uma arte, pelo menos para mim.

Sabia a metade do caminho, entretanto, resolvi 'escutar' a mocinha do GPS desde o ponto de partida. Após muitas trapalhadas, chegamos na Marginal Pinheiros. Ufa! Faltavam apenas nove minutos até o teatro. Estávamos superanimadas, pois tínhamos cerca de 40 minutos até o início do espetáculo. E, então, a bateria do aparelho acaba. A Laura liga para a Marília, minha grande amiga, que começa a nos ajudar.

- Onde você está, Ju?
- Na Marginal.
- O que você está vendo?
- Tem uma placa sentido Morumbi. Mas a última mensagem do GPS mandava virar à direita.
- Não, Ju, segue em frente que você está certa.

É lógico que eu não estava. Para resumir, entrei em uma pequena rua e ao ver um taxista não tive dúvida: "O senhor pode me guiar até o Teatro Alfa?" O tempo não passava, corria. E o desespero aumentava. "Vou chorar. Mas, calma, ele deve ser o último número, não?" Chegamos ao Alfa 15 minutos atrasadas. Ao subir as escadarias vejo pelo monitor um casal fazendo reverence. O coração vem até a boca. "Perdemos o Marcelo. Não acredito." Estava tão alucinada que não percebi um detalhe: a túnica da bailarina era curta. Já o figurino feminino de Tchaikovsky Pas de Deux - ballet que Marcelo dançaria com Paula Penachio - é comprido.

Ao sentar, pergunto para a senhora ao meu lado: "Por favor, esse foi o Marcelo Gomes?" E ela responde: "Não sei." Após eternos segundos, a confirmação: "Não, ele é o terceiro." Preciso falar o tamanho da minha alegria?

Perdi Legend (1972), pas de deux coreografado por John Cranko, que teve como solistas Luiza Lopes e Norton Fantinel. Pena. Entretanto, cheguei a tempo para Inquieto, contemporâneo de Henrique Rodovalho. Mas a coreografia seguinte é o tema deste post.

No livro Santa Evita, o autor Tomás Eloy Martínez escreve: "Essa, pensava eu, é a desgraça da linguagem escrita. Pode ressuscitar os sentimentos, o tempo passado, os acasos que enlaçam um fato a outro, mas não pode ressuscitar a realidade." Assim, temo não fazer jus ao que vi.

Já na entrada do pas de deux deu para notar que a noite seria deles. O primeiro port de brás (movimento de braço) de Paula me encantou. Ela irradiava felicidade, talvez por dançar com Marcelo. O amazonense é uma estrela, e este não é comentário de fã. Segundo o New York Times, o primeiro bailarino do American Ballet Theater é um dos poucos a reunir três qualidades imprescindíveis: além de ótimo bailarino, é excelente partner e ator.  

Para a bailarina, isso nem sempre é algo bom. Usando um jargão da dança, quando o bailarino é um virtuoso pode 'engolir' a mulher em cena. Não foi o que aconteceu. Paula deu conta - e muito bem - do recado. Tchaikovsky, coreografado por Balanchine, é um pas de deux difícil, cheio de idas e vindas. A solista não falhou. O casal esteve tecnicamente impecável. Mas essa não foi a melhor parte.

Paula e Marcelo mostraram grande afinidade. No palco, pareciam se amar de verdade. Não sei como isso nasceu. Imagino que tiveram pouco tempo de ensaio. A única certeza é que durante oito minutos - tempo da coreografia - os dois me sacudiram, me fizeram chorar, rir e querer levantar da poltrona. Há muito tempo queria me sentir assim.

A plateia os aplaudiu em pé. Após a reverence, Paula ajoelhou na frente de Marcelo, segurando suas mãos. Parecia não ter palavras para agradecer. Rapidamente ele a fez levantar. Deu um abraço gostoso e apertado na pequena. Depois, entregou as flores que recebeu para ela.

No dia anterior tinha assistido ao Lago dos Cisnes com o Kirov. Confesso que, apesar da beleza, produção e técnica impecáveis, os russos não 'mexeram' comigo da mesma forma que Paula e Marcelo. Até pensei estar exagerando. Por sorte, meu amigo Erinaldo - que não poupa críticas a ninguém - sentiu-se do mesmo modo que eu!

A noite terminou com a boa estreia de Supernova, do alemão Marco Goecke, e com a volta tranquila para casa. A essa altura ainda estava sob o efeito Tchaikovsky, Marcelo e Paula. Quando a arte - dança, música, cinema ou o que for - causa esse tipo de reação em mim, fico ainda mais emocionada por me achar abençoada e privilegiada. Penso que é o meu momento de entrar em contato com algo divino.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Fonteyn e Nureyev - Marguerite e Armand


Meu casal favorito na dança sem nenhuma dúvida é Nureyev e Margot Fonteyn. A bailarina inglesa estava se aposentando quando, em 1962, o russo apareceu na sua vida. Tinham 20 anos de diferença. Nada, porém, os impediu de ficarem juntos por 15 anos. E que dupla formavam!

Aqui vocês encontram mais informações sobre as duas estrelas.

Confiram os vídeos em que interpretam Marguerite e Armand. O balé foi coreografado por Sir Frederick Ashton, em 1963, especialmente para eles. A música é de Liszt. O trabalho é inspirado em A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas.

Na temporada de primavera de 2010 do American Ballet, Marcelo Gomes também viveu Armand. No entanto, a coreografia é outra: A Dama das Camélias, do norte-americano John Neumeier, diretor do Hamburg Ballet, na Alemanha. A música é de Chopin. Gostaria de ter visto!


terça-feira, 6 de abril de 2010

Do Brasil para os palcos do mundo

Thiago Soares


O amazonense Marcelo Gomes, 30 anos, e o carioca Thiago Soares, 28, deixaram o Brasil e se transformaram em estrelas internacionais. Eles ocupam o posto mais importante em duas renomadíssimas companhias de balé do mundo. Marcelo é primeiro bailarino do American Ballet Theater, de Nova York. Thiago é primeiro bailarino do Royal Ballet, de Londres.

Marcelo começou a dançar com 5 anos. Na época, assistiu a uma única aula e já disse à professora: "Eu consigo fazer esses passos". Daí não parou mais. "Saí daqui aos 13. Foi muito difícil, ir embora sem falar inglês, deixar a família e amigos. Não esperava que minha carreira fosse estourar", diz.

Thiago começou no street dance, não pensava em se profissionalizar no clássico. Fez jazz e dança moderna antes de se dedicar inteiramente ao balé. Na época tinha 16 anos. Em pouco tempo, integrava a companhia do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Marcelo e Thiago sempre arrumam um jeitinho de dançar no Brasil e matar a saudade. Em dezembro, estiveram aqui para apresentar O Quebra-Nozes, em produções diferentes.

Confira Marcelo Gomes em Otello com Alessandra Ferri:

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Brasileiro conquista a América

Fotos: Heloísa Bortz / Divulgação
Marcelo Gomes em O Quebra-Nozes, em São Paulo

Ele saiu de Manaus e ganhou o mundo. Marcelo Gomes, 30 anos, é uma das estrelas do ABT (American Ballet Theater), renomada companhia de balé sediada em Nova York, Estados Unidos. Nesse fim de semana o primeiro bailarino encerra a série de apresentações - com casa lotada - ao lado da Cisne Negro Cia. de Dança, no Teatro Alfa, em São Paulo.

Junto à coreana Hee Seo e à uruguaia Maria Ricetto, ambas solistas da companhia norte-americana, Gomes encena o conto natalino "O Quebra-Nozes". "Dançar no Brasil é emocionante. Tem um peso maior. Os aplausos daqui têm mais valor", comenta o artista.

Marcelo Gomes e a solista do ABT Hee Seo

A trajetória do bailarino começou cedo. Aos 5 anos, o amazonense entrou em uma sala da escola de dança que a irmã frequentava. Naquela época, vivia no Rio de Janeiro. Disse à professora que dava a aula: "Consigo fazer esses passos". E fez. Desde então, sua vida é a arte.

Aos 13 anos, deixou o Brasil para estudar balé em um conservatório na Flórida. "Foi muito sacrifício, ir embora sem falar inglês, deixar a família e amigos. Sonhava em ser Nureyev e Julio Bocca", afirma. O esforço foi recompensado quando, aos 17 anos, entrou para o corpo de baile do ABT. Três anos depois transformou-se em solista (cargo em que tem mais destaque). Com 22 anos, foi promovido a primeiro bailarino. "Foi algo que deu certo. Não imaginava que minha carreira iria estourar tanto. O bailarino brasileiro tem paixão pelo que faz. E isso é notado lá fora."

Além do trabalho como bailarino, Gomes conquistou outro espaço difícil de ser alcançado em qualquer companhia: o de coreógrafo. Em 2007, estreou seu primeiro balé para o ABT, chamado Tacacá (nome de uma sopa do Norte do Brasil).

Marcelo Gomes e Hee Seo

O Quebra-Nozes - Teatro Alfa - Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, São Paulo. Tel.: 5693-4000. Hoje, às 17h e 21h. Amanhã, às 16h e 19h. Ingressos: R$ 50 a R$ 90

Por Juliana Ravelli

* Matéria originalmente publicada no Diário do Grande ABC, em 19 de dezembro de 2009.

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