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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Vídeos de brasileiros no Prix de Lausanne

O Brasil teve duas grandes conquistas no Prix de Lausanne 2013. Leticia Domingues, da Escola de Dança Petite Danse, no Rio de Janeiro, e o Adhonay Silva, do Balé Jovem do Centro Cultural Gustav Ritter, em Goiânia, foram premiados!


Pensei, então, em mostrar para vocês vídeos de outros brasileiros que se destacaram em Lausanne. O primeiro, de 1996, traz Marcelo Gomes, aos 16 anos, na variação de O Quebra-Nozes! Reparem na musicalidade e nas caminhadas dele! Depois, tem a estrela do American Ballet no lindíssimo solo Gracioso.

O terceiro e o quarto vídeo, de 2008, mostram Marcella Paiva na Valsa de Coppélia e em seu solo. No mesmo ano, Irlan Silva (protagonista do documentário Only When I Dance) apresentou Corsário e um solo ousado.

Por fim, tem os vídeos da Mayara Magri, em 2011, também na Valsa de Coppélia e no solo em que eu amei a bailarina, coreografia e música.

Infelizmente, não achei vídeo da primeira brasileira agraciada no concurso de 1990: Christiane Palha, que tinha 15 anos na ocasião.









sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Theme and Variations com Gelsey e Baryshnikov

Na quarta-feira (23) fiz um breve comentário sobre a Gelsey Kirkland e sua autobiografia Dançando em Meu Túmulo. Neste post, não vou falar muito sobre o livro e Gelsey, uma das maiores bailarinas norte-americanas do século 20. Mas vou publicar um vídeo fantástico, de 1978, em que ela dança Theme and Variations com o Baryshnikov.

 O ballet foi coreografado por George Balanchine em 1947. Alicia Alonso e Igor Youskevitch fizeram o casal principal na estreia. A música é de Tchaikovsky: o último movimento da Suíte n° 3 para Orquestra em G Maior, Op. 55. Coreografia lindíssima e extremamente difícil! A polonaise final é de tirar o fôlego.

A técnica da Gelsey me assusta!

Vale tirar alguns minutos para assistir ao vídeo! No fim tem uma entrevista com ela em que fala, por exemplo, sobre a dificuldade de Theme and Variations e como é virar uma celebridade nacional!



quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Eu amo a dança (e o triste caso de Sergei Filin)


Eu amo a dança. Disso meus amigos e minha família já sabem. A dança roubou minha alma quando era bem pequena. Eu nem tinha entrado no ballet quando a professora da primeira série pediu para a gente desenhar o que gostaria de ser quando crescer. Rabisquei duas coisas: uma bailarina e uma poetisa. Parece que previ meu futuro.

Mas, às vezes, amamos tanto uma coisa que num determinado momento precisamos nos afastar um pouco dela. Eu já tentei ficar bem longe. Não consigo. Continuo a fazer pliés, tendus e fouettes, embora meu corpo suplique por menos esforço. Então, a tática desenvolvida foi 'limitar' o tempo dedicado à dança para que ela não me consumisse tanto. Desse modo, tenho 'dosado' o ballet no meu dia a dia. Em parte por isso fiquei tanto tempo sem escrever aqui.

Tentarei agora cuidar melhor do blog, algo que também adoro fazer. Hoje, fiquei pensando na redação sobre o que poderia falar, qual post marcaria o meu retorno. Matutei e lembrei do assunto mais 'quente' (usando o jargão jornalístico) do momento: o ataque a Sergei Filin.

Como muitos devem saber, o diretor do Bolshoi e ex-bailarino, de 42 anos, foi atacado no dia 17 em Moscou. Um agressor encapuzado jogou ácido no rosto de Filin. Apesar de não correr risco de perder a visão, sua recuperação vai demorar pelo menos seis meses.

Ontem li a entrevista que a Folha de S. Paulo fez com a brasileira Mariana Gomes, que está há sete anos na Cia. O relato da brasileira assusta e comove. Ela menciona os vidros na sapatilha e as agulhas nos arranjos de cabelo. O pior é que, infelizmente, histórias desse tipo são mais comuns do que imaginamos. Um teatro pode esconder uma verdadeira selva com artistas capazes de fazer qualquer coisa para 'vencer'.

A arte, de modo geral, fomenta a vaidade e, por consequência, a inveja. Para piorar, a concorrência é gigantesca. Existe muita gente boa. Talento e esforço não bastam. Para ser bailarino entram na conta fatores complexos e subjetivos. Quem não lida bem com a derrota e com o sucesso alheio surta.

Parece exagero, mas há muitos anos digo que as meninas e meninos que desejam ser bailarinos e começam a trabalhar sério para isso deveriam receber acompanhamento psicológico. Como a própria Mariana falou, tem gente que vai parar em manicômio durante as turnês.

Quem já leu Dançando em Meu Túmulo, da norte-americana Gelsey Kirkland, sabe do que um bailarino é capaz para alcançar seus objetivos.

Muitos amigos me perguntaram: "Mas é daquele jeito que aparece no filme?", referindo-se a Cisne Negro. "Em muitos aspectos é. Tem gente que enlouquece mesmo", respondia.

Como pessoas cuja principal função é encantar plateias podem ser capazes de atos tão atrozes? Não sei. Só sei que existe muita coisa suja e errada na dança, assim como na política, no futebol e em tantas outras áreas. A arte não é imaculada.

A coisa já é feia nos festivais de dança. Nos concursos, em que a maioria dos participantes é adolescente, somem sapatilhas, figurinos, arranjos, maquiagens, além de dinheiro, celulares... Em cursos oferecidos nesses eventos há alunos que empurram, passam a perna, tomam a frente dos colegas de outras escolas sem o mínimo de educação. Não dá para esperar que esses mesmos jovens mudem seus hábitos quando se tornarem profissionais, dá?!

Enfim... É um ótimo assunto para discutir.

De todo modo, vamos torcer para que Filin se recupere logo e para que os artistas sejam mais éticos.

Abaixo o diretor do Bolshoi na variação de Don Quixote. Técnica impecável!


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Ana Botafogo apresenta Marguerite e Armand no Alfa

Ana Botafogo estará no Teatro Alfa, em São Paulo, neste sábado (24) e domingo (25), para apresentar Marguerite e Armand. O espetáculo faz parte das comemorações de 35 anos de carreira de Ana e 30 anos como primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

O balé - um dos meus preferidos - é a versão de A Dama das Camélias, coreografada por Sir Frederick Ashton, em 1963, especialmente para Margot Fonteyn e Rudolf Nureyev. A música é de Liszt. Não sabia, mas a montagem esteve no Brasil em 1967. Quem não conhece, pode conferir a postagem sobre Marguerite e Armand (com vídeos) que fiz há alguns meses.

Federico Fernández, primeiro bailarino do Teatro Colón, na Argentina, será o partner de Ana. Marcelo Misailidis - antigo companheiro nos palcos da bailarina - interpretará o pai de Armand; Joseny Coutinho fará o duque. Iván Rutskauska, pianista do Colón, tocará a obra do compositor húngaro. A regência será do maestro Henrique Morelenbaum, que esteve na estreia de Ana como primeira bailarina do Municipal, em 1981, no balé Coppélia. Ele também regeu para Margot Fonteyn quando a inglesa esteve no Brasil, em 1967.

"Pensei muito até definir qual personagem eu interpretaria. Queria algo novo, que nunca tivesse dançado. Quando me ocorreu a Marguerite, não tive dúvida. Há alguns anos Dalal Achcar e Peter Wright sugeriram que este era um balé talhado para mim. Pouco depois foi a vez de Bibi Ferreira dizer que havia visto Margot dançar, que esta coreografia tinha elementos dramáticos e ela me imaginava neste papel. Decidi-me. É um papel sob medida para este momento da minha carreira, para uma bailarina experiente e com tantos anos de estrada. Marguerite e Armand é a culminância dos clássicos que já encenei nestes 35 anos", disse Ana.


O espetáculo ainda terá Ana e Joseny na coreografia Sabiá, de Vasco Wellenkamp, além da participação de Cia Jovem de Ballet do Rio de Janeiro com Mozarteando e FugA_Technic@.

Não tenho dúvidas de que a apresentação será maravilhosa. Mas não me estenderei em elogios sobre Ana neste post. Prometo que em breve escreverei algo bacana sobre ela. Enquanto isso, divido com vocês vídeo em que a bailarina faz o Grand Pas de Deux de Esmeralda com o cubano Lienz Chang no Festival de Joinville, em 1984. O engraçado é que esse vídeo era superdifícil de encontrar. Lembro que há quase 10 anos uma grande professora minha teve de encomendá-lo para remontar o pas de deux. Ficamos em polvorosa quando a fita VHS chegou à escola!

ONDE - Ana Botafogo - 35 Anos de Carreira no Teatro Alfa (Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722), em São Paulo. Sábado (24), às 21h, e domingo (25), às 18h. Ingresso: R$ 40 e R$ 100.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Marcelo Gomes no Brasil com a São Paulo Companhia de Dança e as loucuras para vê-lo

Foto: Wilian Aguiar/ Divulgação

Para variar, essa história já deveria estar no Blog há dias, mas... Não me estenderei em justificativas.

Fiquei maluca ao descobrir que o Marcelo Gomes dançaria com a São Paulo Companhia de Dança nos dias 26 e 27 de agosto no Teatro Alfa, em São Paulo. Os amigos sabem que quando o assunto é ballet - e, claro, não estou no papel de jornalista - sou tiete sem dó. Não sosseguei até comprar o ingresso. Contei até com a ajuda da 'santa chefe' para retirá-lo em um ponto de venda autorizado.

Escolhi a sexta para assisti-lo; iria com algumas alunas. Mas, no fim, apenas a Laura me acompanhou. E começa a confusão... Como motorista, dou para o gasto. Problema mesmo é minha inteligência espacial ou, melhor, a falta dela. Imaginava estar segura; nada daria errado, afinal, o GPS me ajudava. Errado. Acredite, usá-lo é uma arte, pelo menos para mim.

Sabia a metade do caminho, entretanto, resolvi 'escutar' a mocinha do GPS desde o ponto de partida. Após muitas trapalhadas, chegamos na Marginal Pinheiros. Ufa! Faltavam apenas nove minutos até o teatro. Estávamos superanimadas, pois tínhamos cerca de 40 minutos até o início do espetáculo. E, então, a bateria do aparelho acaba. A Laura liga para a Marília, minha grande amiga, que começa a nos ajudar.

- Onde você está, Ju?
- Na Marginal.
- O que você está vendo?
- Tem uma placa sentido Morumbi. Mas a última mensagem do GPS mandava virar à direita.
- Não, Ju, segue em frente que você está certa.

É lógico que eu não estava. Para resumir, entrei em uma pequena rua e ao ver um taxista não tive dúvida: "O senhor pode me guiar até o Teatro Alfa?" O tempo não passava, corria. E o desespero aumentava. "Vou chorar. Mas, calma, ele deve ser o último número, não?" Chegamos ao Alfa 15 minutos atrasadas. Ao subir as escadarias vejo pelo monitor um casal fazendo reverence. O coração vem até a boca. "Perdemos o Marcelo. Não acredito." Estava tão alucinada que não percebi um detalhe: a túnica da bailarina era curta. Já o figurino feminino de Tchaikovsky Pas de Deux - ballet que Marcelo dançaria com Paula Penachio - é comprido.

Ao sentar, pergunto para a senhora ao meu lado: "Por favor, esse foi o Marcelo Gomes?" E ela responde: "Não sei." Após eternos segundos, a confirmação: "Não, ele é o terceiro." Preciso falar o tamanho da minha alegria?

Perdi Legend (1972), pas de deux coreografado por John Cranko, que teve como solistas Luiza Lopes e Norton Fantinel. Pena. Entretanto, cheguei a tempo para Inquieto, contemporâneo de Henrique Rodovalho. Mas a coreografia seguinte é o tema deste post.

No livro Santa Evita, o autor Tomás Eloy Martínez escreve: "Essa, pensava eu, é a desgraça da linguagem escrita. Pode ressuscitar os sentimentos, o tempo passado, os acasos que enlaçam um fato a outro, mas não pode ressuscitar a realidade." Assim, temo não fazer jus ao que vi.

Já na entrada do pas de deux deu para notar que a noite seria deles. O primeiro port de brás (movimento de braço) de Paula me encantou. Ela irradiava felicidade, talvez por dançar com Marcelo. O amazonense é uma estrela, e este não é comentário de fã. Segundo o New York Times, o primeiro bailarino do American Ballet Theater é um dos poucos a reunir três qualidades imprescindíveis: além de ótimo bailarino, é excelente partner e ator.  

Para a bailarina, isso nem sempre é algo bom. Usando um jargão da dança, quando o bailarino é um virtuoso pode 'engolir' a mulher em cena. Não foi o que aconteceu. Paula deu conta - e muito bem - do recado. Tchaikovsky, coreografado por Balanchine, é um pas de deux difícil, cheio de idas e vindas. A solista não falhou. O casal esteve tecnicamente impecável. Mas essa não foi a melhor parte.

Paula e Marcelo mostraram grande afinidade. No palco, pareciam se amar de verdade. Não sei como isso nasceu. Imagino que tiveram pouco tempo de ensaio. A única certeza é que durante oito minutos - tempo da coreografia - os dois me sacudiram, me fizeram chorar, rir e querer levantar da poltrona. Há muito tempo queria me sentir assim.

A plateia os aplaudiu em pé. Após a reverence, Paula ajoelhou na frente de Marcelo, segurando suas mãos. Parecia não ter palavras para agradecer. Rapidamente ele a fez levantar. Deu um abraço gostoso e apertado na pequena. Depois, entregou as flores que recebeu para ela.

No dia anterior tinha assistido ao Lago dos Cisnes com o Kirov. Confesso que, apesar da beleza, produção e técnica impecáveis, os russos não 'mexeram' comigo da mesma forma que Paula e Marcelo. Até pensei estar exagerando. Por sorte, meu amigo Erinaldo - que não poupa críticas a ninguém - sentiu-se do mesmo modo que eu!

A noite terminou com a boa estreia de Supernova, do alemão Marco Goecke, e com a volta tranquila para casa. A essa altura ainda estava sob o efeito Tchaikovsky, Marcelo e Paula. Quando a arte - dança, música, cinema ou o que for - causa esse tipo de reação em mim, fico ainda mais emocionada por me achar abençoada e privilegiada. Penso que é o meu momento de entrar em contato com algo divino.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Momento de Decisão


Pensei em aproveitar Cisne Negro para falar sobre filmes de dança. O primeiro escolhido é o drama Momento de Decisão (The Turning Point, 1977), um dos meus preferidos. Não pela presença de Baryshnikov, acredite. O roteiro é ótimo. As protagonistas são - e estão - sensacionais: Shirley MacLaine e Anne Bancroft. A direção é do bailarino e coreógrafo Herbert Ross.

Quando jovens, as amigas Deedee (Shirley) e Emma (Anne) dedicavam-se exclusivamente ao balé. Mesmo muito talentosa, a primeira deixa o sonho para casar, ter filhos e se transformar em dedicada dona-de-casa. A amiga segue rumo oposto; abdica de tudo para se tornar grande estrela da dança.


Ambas voltam a se aproximar quando Emilia (Leslie Browne), filha de Deedee, entra para a companhia de Emma. Assim, a amizade e principalmente frustrações por escolhas do passado e ressentimentos afloram novamente. Ponto alto do filme é a cena memorável em que as amigas discutem, se estapeiam e, ao fim, riem de si mesmas. Emociona.

Baryshnikov interpreta o bailarino russo e mulherengo Yuri Kopeikine, pelo qual Emilia se apaixona. Aliás, o papel da garota seria da bailarina norte-americana Gelsey Kirkland, que não aceitou participar da produção.

Momento de Decisão recebeu 11 indicações ao Oscar de 1978: melhor filme, diretor, atriz (para Shirley e Anne), ator coadjuvante (Baryshnikov), atriz coadjuvante (Leslie), fotografia, direção de arte, roteiro original, montagem e som. No entanto, saiu sem nenhum prêmio; pena. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de Woody Allen, ganhou as principais categorias naquele ano. O longa de Ross levou dois Globos de Ouro, melhor filme/drama e diretor.




sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Baryshnikov no Brasil




Tenho de compartilhar algo com vocês. No dia 20 de outubro verei uma lenda no palco: Mikhail Baryshnikov. O bailarino se apresentará ao lado da espanhola Ana Laguna no Teatro Alfa, em São Paulo. Pelo que soube, a venda dos ingressos começou no dia 13 e, hoje (17), eles já estão esgotados.

No espetáculo Três Solos e Um Dueto, Baryshnikov, 62 anos, dança Years Later (coreografado por Benjamin Millepied's) e Valse Fantasie (de Alexei Ratmansky, ex-diretor artístico do Bolshoi). Ana Laguna mostra Solo For Two (de Mats Ek), em que o bailarino também aparece. Os dois encerram o programa com Place (também de Mats Ek).
Years Later
Confesso que tenho vontade de chorar quando penso muito sobre o assunto, tamanha felicidade. Por quê? No meu caso, Baryshnikov foi um dos heróis de minha infância e adolescência. Na época, tinha certeza de que seria bailarina. Não aconteceu. Entretanto, minha admiração pelo gênio não diminuiu.

Lembro-me da primeira vez que assisti Momento da Decisão (Turning Point, 1977). O filme foi indicado a 11 prêmios Oscar; Baryshnikov concorreu ao de melhor ator coadjuvante.

Quando estive em Nova York, tive a oportunidade de conhecer Gelsey Kirkland no Broadway Dance Center. A norte-americana – uma das principais bailarinas clássicas do século 20 – apertou minhas bochechas quando mencionei que tinha o livro dela (Dançando em Meu Túmulo) na minha casa. Eu mal consigo acreditar na cena até hoje. “Ela existe mesmo”, pensei.

Acredito que terei reação semelhante ao ver Misha, como Gelsey, que o namorou, o chamava. Conto os dias ansiosa para a data chegar logo. Assim, posso comprovar se ele também é real.

Misha e Gelsey

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O Último Bailarino de Mao


Muitos amigos já me perguntaram se li Adeus China – O Último Bailarino de Mao (Editora Fundamento, 400 págs., R$ 48,40). “Infelizmente, ainda não”, respondia. Na realidade, nunca parei para pesquisar ou folhear o livro, justo eu que adoro passar horas na livraria.

Na semana passada, entretanto, vi algo na internet que me chamou a atenção. Na página principal do The Internet Movie Database estava em destaque o pôster de um filme que trazia um bailarino oriental. No mesmo instante, cliquei no link e descobri que Adeus China já se transformou em longa, lançado em 2009, do diretor Bruce Beresford (Conduzindo Miss Daisy).

Assisti ao trailer de O Último Dançarino de Mao (veja abaixo) e me emocionei. Acredito que os apaixonados por dança também gostarão do filme, que tem cenas belas e espetaculares.

Para quem não sabe, a trama é baseada na autobiografia de um dos maiores bailarinos do mundo, o chinês Li Cunxin. Aos 11 anos, ele foi retirado da pobre aldeia em que vivia com a família para estudar balé em Pequim. Transformou-se em estrela da dança e fez o que outros (Nureyev e Baryshnikov, só para citar alguns) fizeram antes dele: deixou o país rumo ao Ocidente.

Li Cunxin e Mary McKendry (sua esposa) no Pas de Deux de Esmeralda, no Australian Ballet Gala, em 1990

Li Cunxin tornou-se um dos queridinhos da América. No entanto, a China comunista não o perdoou. Assim, ele teve de enfrentar o governo para garantir a integridade de sua família e a realização de seu sonho como artista.

Em 2008, Li Cunxin esteve no Brasil durante o lançamento do livro. Resta saber se o filme - que foi exibido na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2009 - chegará às telonas. Acho difícil.


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