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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Meu pai é Baryshnikov



Não, meu pai não é Baryshnikov. E esse não é um post que pode resultar num escândalo sem precedentes. Meu Pai é Baryshnikov é o filme pelo qual fiquei extremamente curiosa para assistir quando vi a programação do 17° Festival de Cinema Judaico de São Paulo. Infelizmente, não dei sorte com o dia da exibição.

Dirigido por Dmitry Povolotsky, o longa russo de 2011 se passa nos anos 1980, durante a Perestroika. Conta a história de Boris, aluno da tradicional escola de ballet do Teatro Bolshoi.


Magrelo e sem o talento necessário para ser a 'estrela' da turma, o adolescente espalha entre os colegas que é filho ilegítimo de Baryshnikov. Isso acontece depois que Boris assiste ao filme O Sol da Meia-Noite (1985), protagonizado pelo bailarino desertor.

Espero encontrar e ver o longa em breve (quem achar, por favor, me avisa). Por enquanto, temos de nos contentar com o trailer sem legenda e em russo (eu acredito). Vasculhei a internet e não achei nem o vídeo em inglês.


domingo, 13 de março de 2011

Billy Elliot


Para dar sequência aos posts sobre filmes de dança, escolhi Billy Eliot. O longa britânico (um dos meus preferidos) é sensacional. Faz a gente rir, chorar, torcer. E olha que a opinião não é só minha. Familiares e amigos que o assistiram contam que se emocionaram com a história.

Lançado em 2000 e dirigido por Stephen Daldry (estreia do cara no cinema), fala sobre o menino de 11 anos, de uma pequena cidade inglesa, que troca as luvas de boxe pelas sapatilhas. As dificuldades são as mesmas enfrentadas ainda hoje por grande parte dos garotos que deseja se dedicar à dança.

Billy começa a frequentar as aulas de balé escondido da família: pai e irmão mais velho - mineiros e machões - e avó. A mãe tinha morrido. Com a ajuda da professora nada convencional, Sra. Wilkinson (Julie Walters), aprende os primeiros passos. Em pouco tempo, ela percebe que o menino nasceu para a arte. Assim, propõe que ele faça teste para entrar na renomada Royal Ballet School.

Convencer o Sr. Jackie Elliot (Gary Lewis) de que essa é a melhor escolha para Billy não é tarefa fácil. A opinião do pai, porém, muda quando vê o rebento dançar. Numa sequência de cenas belíssima, percebe que o futuro do menino pode ser diferente, bem longe das minas de carvão.

Uma das partes mais bacanas também é o fim do teste de Billy, no qual diz aos examinadores o que sente ao dançar. É de arrepiar! Na realidade, muitas cenas causam essa sensação.

Além do roteiro e trilha, as atuações são ótimas, principalmente a de Jamie Bell, que interpreta Billy. Na época, o ator tinha 14 anos. Billy Elliot se transformou em musical de sucesso em 2005, com música de Elton John. Em 2009 ganhou 10 Tony Awards, incluindo de melhor musical.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A Última Dança

Gosto muito de A Última Dança (One Last Dance), principalmente das cenas em que Patrick Swayze dança. Que braços! Era um baita artista no palco. A mãe era bailarina, por isso, desde criança teve contato direto com o balé. Aliás, foi na escola da mãe que conheceu a esposa Lisa Niemi, com a qual permaneceu casado por 34 anos. "É a minha melhor aluna. Se fizer mal a ela, acabo com você", disse a genitora ao filho.

Lisa escreveu, protagonizou e dirigiu o longa. Talentosa, arrasa nas coreografias aos 47 anos! Salta, gira, sobe as pernas. É fácil perceber que a beleza das danças do casal se deve muito à afinidade entre ela e o marido.

Em A Última Dança (2003), três bailarinos veteranos reencontram-se após a morte do diretor da companhia em que atuavam. Travis (Swayze), Chrissa (Lisa) e Max (George De La Pena, também ótimo) aceitam o desafiam de dançar a obra inédita que o coreógrafo morto criou para eles 7 anos atrás. Essa é a única maneira de salvar a cia. No entanto, o retorno não é tão fácil assim. O trio tem de curar feridas fisicas e emocionais antes das luzes do palco acenderem novamente e da música começar.

Para quem aprecia maturidade e competência em cena, o filme é prato cheio. Não é difícil encontrar o DVD; vira e mexe também passa na TV.


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Momento de Decisão


Pensei em aproveitar Cisne Negro para falar sobre filmes de dança. O primeiro escolhido é o drama Momento de Decisão (The Turning Point, 1977), um dos meus preferidos. Não pela presença de Baryshnikov, acredite. O roteiro é ótimo. As protagonistas são - e estão - sensacionais: Shirley MacLaine e Anne Bancroft. A direção é do bailarino e coreógrafo Herbert Ross.

Quando jovens, as amigas Deedee (Shirley) e Emma (Anne) dedicavam-se exclusivamente ao balé. Mesmo muito talentosa, a primeira deixa o sonho para casar, ter filhos e se transformar em dedicada dona-de-casa. A amiga segue rumo oposto; abdica de tudo para se tornar grande estrela da dança.


Ambas voltam a se aproximar quando Emilia (Leslie Browne), filha de Deedee, entra para a companhia de Emma. Assim, a amizade e principalmente frustrações por escolhas do passado e ressentimentos afloram novamente. Ponto alto do filme é a cena memorável em que as amigas discutem, se estapeiam e, ao fim, riem de si mesmas. Emociona.

Baryshnikov interpreta o bailarino russo e mulherengo Yuri Kopeikine, pelo qual Emilia se apaixona. Aliás, o papel da garota seria da bailarina norte-americana Gelsey Kirkland, que não aceitou participar da produção.

Momento de Decisão recebeu 11 indicações ao Oscar de 1978: melhor filme, diretor, atriz (para Shirley e Anne), ator coadjuvante (Baryshnikov), atriz coadjuvante (Leslie), fotografia, direção de arte, roteiro original, montagem e som. No entanto, saiu sem nenhum prêmio; pena. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de Woody Allen, ganhou as principais categorias naquele ano. O longa de Ross levou dois Globos de Ouro, melhor filme/drama e diretor.




sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Em busca da perfeição


Odette é a princesa aprisionada no corpo de cisne. Somente o amor verdadeiro pode desfazer o feitiço imposto por Von Rothbart. A salvação surge na forma de um príncipe apaixonado. A esperança de ser liberta, no entanto, se esvai quando o amado a confunde com uma criatura fisicamente idêntica, mas de personalidade completamente diversa.

A partir do balé mais conhecido do mundo - O Lago dos Cisnes -, o diretor Darren Aronofsky (O Lutador) constrói Cisne Negro, que estreia hoje nos cinemas. Até então, parecia improvável fazer um suspense psicológico, que pende para o drama e o terror, ambientado no universo da dança clássica. Mas torná-lo possível não é o único triunfo.

Nina Sayers (Natalie Portman) é escolhida para estrelar a nova produção de uma grande companhia de dança nova-iorquina. A bailarina é a personificação do cisne branco, puro, casto e ingênuo. Mas em O Lago dos Cisnes também é preciso encarnar o cisne negro, representante da maldade, luxúria e sensualidade.

Desafiada pelo diretor Thomas Leroy (Vincent Cassel), Nina se esforça para encontrar em si qualidades necessárias para viver seu antônimo no palco. A busca desesperada pela perfeição faz com que, aos poucos, perca o já desgastado fio que a liga à realidade.

Assim como há o amaldiçoado Macbeth - capaz de enlouquecer atores - para o teatro, o balé tem Odette (o bem) e Odille (o mal). Interpretar figuras tão opostas no mais alto nível artístico requer maturidade psicológica, mais do que técnica.

Com fidelidade, Cisne Negro se apropria do que ocorre nos bastidores da dança, para surpresa dos leigos acostumados a associar o balé à delicadeza. Aronofsky sempre soube da verdade porque testemunhou a árdua trajetória de sua irmã como bailarina.

Tudo está no longa. A estrela veterana que não aceita a aposentadoria (Beth Macintyre, vivida por Winona Ryder), o diretor que se aproveita das ambiciosas aspirantes, a mãe dominadora e ex-bailarina frustrada (Erica, Barbara Hershey), o corpo de baile que deseja o lugar da solista, os distúrbios alimentares, as dores e até mesmo os estranhos rituais de preparação da sapatilha.

O balé, como todas as artes, consome seus súditos e os transforma em escravos, dispostos a sacrificar o corpo, saúde, família e o que mais precisar para chegar cada dia mais perto do topo. Apesar da devoção, Nina fica a ponto de sucumbir às pressões, principalmente após a chegada da talentosa e sedutora concorrente Lily (Mila Kunis).

De fato, muitos bailarinos têm trajetória semelhante à de Nina fora das telas. Para entendê-los melhor, Natalie Portman se submeteu a meses de aulas e ensaios rigorosos, estudou muito e emagreceu 10 kg. Descobriu que no balé o limite entre a beleza e a dor extrema praticamente inexiste. Resultado: excelente atuação que a faz merecedora de todos os prêmios. Possivelmente, já tenha o Oscar garantido.

A obsessiva Nina de Portman assusta e arrebata. Sim. Ao custo de muito sacrifício, chega à perfeição: descobre o cisne negro em si, conquista os "bravos" da plateia e junto ao cisne branco encontra liberdade e redenção. O preço é caro. Mas ela não foi a primeira, nem será a última.

Por Juliana Ravelli
Matéria publicada no Diário do Grande ABC em 4 de fevereiro





quinta-feira, 10 de junho de 2010

O Último Bailarino de Mao


Muitos amigos já me perguntaram se li Adeus China – O Último Bailarino de Mao (Editora Fundamento, 400 págs., R$ 48,40). “Infelizmente, ainda não”, respondia. Na realidade, nunca parei para pesquisar ou folhear o livro, justo eu que adoro passar horas na livraria.

Na semana passada, entretanto, vi algo na internet que me chamou a atenção. Na página principal do The Internet Movie Database estava em destaque o pôster de um filme que trazia um bailarino oriental. No mesmo instante, cliquei no link e descobri que Adeus China já se transformou em longa, lançado em 2009, do diretor Bruce Beresford (Conduzindo Miss Daisy).

Assisti ao trailer de O Último Dançarino de Mao (veja abaixo) e me emocionei. Acredito que os apaixonados por dança também gostarão do filme, que tem cenas belas e espetaculares.

Para quem não sabe, a trama é baseada na autobiografia de um dos maiores bailarinos do mundo, o chinês Li Cunxin. Aos 11 anos, ele foi retirado da pobre aldeia em que vivia com a família para estudar balé em Pequim. Transformou-se em estrela da dança e fez o que outros (Nureyev e Baryshnikov, só para citar alguns) fizeram antes dele: deixou o país rumo ao Ocidente.

Li Cunxin e Mary McKendry (sua esposa) no Pas de Deux de Esmeralda, no Australian Ballet Gala, em 1990

Li Cunxin tornou-se um dos queridinhos da América. No entanto, a China comunista não o perdoou. Assim, ele teve de enfrentar o governo para garantir a integridade de sua família e a realização de seu sonho como artista.

Em 2008, Li Cunxin esteve no Brasil durante o lançamento do livro. Resta saber se o filme - que foi exibido na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2009 - chegará às telonas. Acho difícil.


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